O Lobo travestido de Cordeiro: como os EUA lucram com a Guerra

por | abr 5, 2022 | 21h

Primeiro, Washington instigou a guerra, depois, saiu às vendas. Todos aqueles que se consideram ameaçados por Moscou, consideram legítimo armar-se até os dentes para o caso de terem de encarar o grande urso. Quanto mais tempo a guerra durar, melhor para os negócios, certo Washington?

A Rússia invadiu o território da Ucrânia, na madrugada de 24 de fevereiro. Desde então, o mundo, especialmente a Europa, tem sido fortemente impactado pela guerra. Os civis inocentes, aqueles que nada têm a ver com as escolhas dos políticos, são as principais vítimas, assim como a verdade, a primeira delas.

E falando em verdade, é preciso descortinar um dos aspectos por trás da guerra. Muito antes de Vladimir Putir ordenar às suas Forças Armadas “desnazificar” a Ucrânia, os EUA já fomentavam o conflito. A Casa Branca, o Departamento de Estado, a CIA e o Pentágono, se alternavam nas declarações sombrias. Washington queria a guerra, assim como muitos dos seus aliados.

Pois bem, iniciada a guerra e crescendo o número de mortos, os EUA sobem o tom e pressionam a Europa para que isolem a Rússia. Faz algum sentido, afinal de contas, há um Estado agressor e um Estado agredido. O resto é percepção, expectativa, sentimento. A Ucrânia estava lá, na sua, sendo rica, mas enfrentando seus dilemas como qualquer outro país. Daí, vem a Rússia e se achando no direito de determinar o que os outros devem fazer ou não, e invade, viola, rouba, estupra e mata.

Há muitos anos, ouvi a expressão: “Pobre México, tão longe de Deus, tão perto dos EUA”. Hoje, a expressão que também condiz com a realidade, seria: “Pobres daqueles países tão longe de Deus e tão próximos da Rússia”. EUA e Rússia, na verdade, agem para dividir o mundo e lucrar com essa divisão. São mais parecidos que diferentes. Putin se colocou no mesmo nível dos predadores norte-americanos.

Não há santos nesta guerra, mas alguns são mais encapetados que outros. Os EUA, por exemplo, puseram pilhas nos europeus para que não fizessem mais negócios com Putin. Fazer negócios com o Kremlin é financiar, ainda que indiretamente, a sua sanha por matar ucranianos. Por outro lado, ao deixar de comprar, por exemplo, petróleo e gás russos, os europeus tinham de buscar outro fornecedor.

Eis que o Tio Sam, sempre tão sensível à defesa da democracia, aumentou em quase 45% a sua prospecção de petróleo para, adivinhem, vender para a Europa. Um contrato para a exportação de gás norte-americano, muito mais caro, claro, também já foi fechado com a Europa.

Quanto à fortíssima indústria bélica dos EUA, cabe registrar que a Polônia, por exemplo, acaba de fechar um contrato para a aquisição de 250 tanques Abrams por singelos US$ 6 bilhões. Vejam só, a Polônia, o “patinho feio” da Europa e o país que mais estendeu a mão aos refugiados ucranianos.

A Alemanha também decidiu abandonar o seu perfil pacifista e está investindo pesado na compra de armamentos. No momento, Berlin negocia a aquisição de aviões de combate, os caríssimos e modernos F-35, fabricados pelos EUA. Além dos aviões, a Alemanha pretende adquirir pelo menos mil mísseis antitanques e 500 mísseis terra-ar Stinger.

Já a União Europeia, igualmente pacífica e amante da paz, autorizou os países-membros a utilizarem os recursos do Fundo Europeu de Apoio à Paz, para financiar a compra de armas que serão enviadas à Ucrânia. Esse Fundo conta com quase 6 bilhões de euros para o período 2021 – 2027, porém o teto anual de gastos é de 420 milhões de euros.

Bom, a guerra continua com as bombas, as narrativas e a desinformação, e os EUA seguem na liderança como principal exportador de armas a nível mundial, tendo fechado negócios com 103 países nos últimos anos. Por outro lado, a Rússia se mantém na segunda posição, responsável por 20% das vendas de material bélico.

Por Marcelo Rech

InfoRel

Imagem: Reprodução

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