Entre os dias 6 e 10 de junho, realizou-se em Los Angeles, a 9ª Cúpula das Américas, evento pensado por Washington, para manter a influência norte-americana na região. No entanto, essa edição foi marcada pelo desespero dos EUA em tentar frear a expansão chinesa no seu quintal sem, contudo, oferecer algo em troca.

Dos 34 chefes de Estado, apenas 20 compareceram e a maioria, não foi à Califórnia para celebrar. Joe Biden, o presidente democrata, além de fortemente questionado pelos norte-americanos, também é visto com grande desconfiança no hemisfério.

Os EUA sentiram que era preciso relançar as relações com o Hemisfério e decidiram, às pressas, organizar um encontro que não se realizava desde 2018. Lançada em 1994, a Cúpula das Américas alimentava o desejo norte-americano, de dominância política e econômica. No entanto, as nove edições não produziram os efeitos desejados.

Washington não só não conseguiu transformar a realidade, como teve de ouvir uma série de queixas e reclamações. As incoerências são muitas. Por exemplo: a Casa Branca incluiu o tema democracia na agenda e, para marcar posição, não convidou os governantes de Cuba, Nicarágua e Venezuela, três ditaduras explícitas. Mas, mantém o diálogo com Caracas, afrouxa as sanções com Havana e faz pouco caso dos abusos em Manágua.

Enquanto isso, a China despeja bilhões de dólares em grandes projetos na região e consolida sua política de longo prazo com a América Latina. Com muito menor transcendência, também se fortalecem as relações de Rússia e Irã, com os países da região.

Os EUA também incluíram o debate sobre imigração, mas sem apresentar nenhuma nova política. Os latino-americanos, brasileiros incluídos, continuam sendo deportados algemados e em jaulas, inclusive crianças que são, antes, separadas dos pais.

El Salvador, Guatemala e Honduras, os países do chamado Triângulo Norte, simplesmente não participaram em sinal de protesto. Biden manteve a política implementada por Donald Trump que trata os imigrantes como marginais. Enquanto isso, as máfias que enriquecem à custa do drama de centenas de famílias, não se sentem incomodadas.

Em outras palavras, os EUA continuam tratando a América Latina e o Caribe, com profundo desrespeito e indiferença. Para a Casa Branca, o que vale são os seus interesses. Se for conveniente lidar com um regime totalitário e corrupto como o venezuelano, que assim seja.

Mesmo os aliados tradicionais dos EUA não sentem confiança e não dão credibilidade à uma administração que prima pela hipocrisia, apontando o dedo para as mazelas dos outros enquanto, internamente, crescem a violência, a crise econômica e a pobreza.

Por Marcelo Rech

InfoRel

Imagem: Reprodução

Share This