No dia 14, o ministro da Defesa, Paulo Sérgio, recebeu uma comitiva dos EUA, liderada pelo seu Encarregado de Negócios em Brasília, Douglas Koneff. Na agenda, o acesso do Brasil aos benefícios conferidos aos aliados extra-OTAN, por Washington e a implementação do RDT&E, ratificado pelo Brasil.

Antes, em Los Angeles, os presidentes Jair Bolsonaro e Joe Biden, mantiveram duas reuniões: uma aberta e ampliada e outra, restrita e fechada. O líder brasileiro desembarcou na Califórnia sabendo das pressões que o colega democrata tem sofrido para retirar, do Brasil, a designação outorgada por Donald Trump, em 2019. Um dos êxitos alcançados foi justamente a garantia de que os EUA manterão a designação ao Brasil entre os países não membros da Aliança Atlântica.

Além disso, Brasil e EUA darão continuidade as operações militares conjuntas, aos acordos internacionais e, em especial, o que está previsto nos acordos de Salvaguarda Tecnológica e de Intercâmbio em Pesquisa, Desenvolvimento e Tecnologia, além da Cooperação na região do Atlântico Sul.

A Casa Branca sabe da importância em ter no Brasil, um aliado estratégico. O país, com quase 17 mil Km de fronteiras, incluindo limites com os quatro principais produtores de drogas do planeta, não pode ser ignorado. E é exatamente esse o principal objetivo dos EUA, aprofundar as relações com aliados estratégicos militares, que terão um relacionamento denso com as Forças Armadas dos EUA.

Para os críticos do governo, apenas Washington tem a ganhar com essa designação. No entanto, por trás do título pomposo, está um elemento crucial que é a confiança. Os EUA só designam aliados países em que confiam plenamente e o Brasil é parte do clube, o que significa, entre outras coisas, ter acesso a tecnologias sensíveis no futuro.

Por isso, a reunião do ministro e demais autoridades ligadas às questões estratégicas da Defesa, com os norte-americanos. Passado o encontro entre os presidentes, é hora de tirar do papel as boas intenções. E o Brasil quer retomar, também, o Diálogo da Indústria de Defesa, para abrir caminho às empresas nacionais aos contratos do Pentágono.

Também não podemos ignorar a aprovação, pelo Senado, em abril, do texto do acordo na área de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia militar, firmado em Miami, em 2020. O acordo referente a Projetos de Pesquisa, Desenvolvimento, Teste e Avaliação (RDT&E) irá abranger a colaboração dos dois países em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia avançada de componentes e protótipos, incluindo até mesmo o empréstimo de equipamentos e materiais. Os EUA mantêm acordos similares com Alemanha, França, Índia, Itália, Israel, Singapura e Suécia.

O acordo não envolve a preparação nem o emprego de forças militares, e o Brasil pretende, mais adiante, que as tecnologias de emprego militar migrem para as indústrias civis. Além disso, o RDT&E, facilitará o ingresso de itens produzidos pelo Brasil no mercado norte-americano de material de defesa e dos 28 países membros da OTAN, uma vez que ele segue o padrão exigido pela Aliança Atlântica.

Por Marcelo Rech

InfoRel

Imagem: Gov.br

Share This