Forças Armadas cooptadas e à serviço do partido

por | ago 24, 2022 | 15h

Em 2016, logo após o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, o Partido dos Trabalhadores assumiu, em um documento aprovado por sua cúpula, que deveria ter aumentado a sua influência dentro da Polícia Federal, das Forças Armadas e do Ministério Público.

No estilo “vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar a eleição”, José Dirceu, é um dos que faz o mea culpa. A cúpula do partido entende que era preciso cooptar as Forças Armadas, por exemplo, seguindo o modelo chavista da Venezuela.

Na segunda-feira, 22, em mais um evento controlado, o ex-presidente destilou sua ira contra os militares e sobrou até mesmo para a diplomacia. Para Lula, tanto as Forças Armadas como o Itamaraty, têm de fazer o que o presidente mandar e ponto. Ele foi claro ao afirmar que “as Forças Armadas serão aquilo que o governo quiser que seja”.

Por outro lado, não é verdade que o PT errou. Houve tentativa, sim, de cooptação das Forças Armadas pela esquerda. A ideia era ter a corporação no bolso. Foi a insistência que fez o então comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, reagir.

O gesto, visto pela elite intelectual de esquerda, como uma ameaça à democracia, foi um movimento de preservação da instituição castrense. Villas Boas impediu que a esquerda transformasse as Forças Armadas, a instituição com mais credibilidade junto à sociedade, como um grupo de lambe botas, parte do seu projeto de poder, cujos fins sempre justificaram os meios.

A reação da caserna à sedução petista, claro, deixou sequelas. A principal delas, deverá ser sanada caso o partido retorne ao poder em 2023. Para aqueles que têm curiosidade em saber como serão, basta associar o discurso de Lula ao que outros têm feito com os seus exércitos na região.

Lula já deixou claro: vai fazer com os militares o que bem entender. Quem não estiver disposto a servir ao partido e aos seus interesses, estará fora, exatamente como tem feito o líder esquerdista Gustavo Petro, na Colômbia. Em julho, ele afirmou, a respeito dos militares e a política: “não tem que ficar se metendo”.

Ele não quer apenas militares obedientes. Ele quer os militares totalmente submissos e calados. A esquerda tem um projeto de poder. Nunca teve um projeto de Nação. Os militares sérios e responsáveis, atuam muito mais por devoção e esses não são bem vistos pela cúpula do PT. Caso retorne ao poder, a esquerda tratará de corrigir esse erro, não ter cooptado a Polícia Federal, as Forças Armadas e o Ministério Público.

Por Marcelo Rech

InfoRel

Imagem: Getty Images

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