China aumenta os investimentos no Brasil

por | set 1, 2022 | 20h

O Conselho Empresarial Brasil-China, informou nesta quarta-feira, 31, que as empresas chinesas investiram US$ 5,9 bilhões no Brasil em 2021. O volume é o maior registrado desde 2017 e 208% superior à registrada em 2020, quando os negócios globais e as aplicações chinesas em particular foram afetadas em consequência da pandemia da covid-19.

O documento indica que, mesmo em um contexto de instabilidade global, as companhias chinesas implementaram 28 grandes projetos empresariais em território brasileiro, retomando o ritmo de crescimento iniciado em 2016 e interrompido em 2019.

Tulio Carrielo, coordenador do estudo e diretor de Conteúdo e Pesquisa do conselho, afirmou que, com a retomada do interesse dos empreendedores chineses, empresas que já atuavam no Brasil expandiram sua presença e novos atores aportaram no país. Um exemplo é a fabricante de veículos Great Wall, que comprou a fábrica da Mercedez-Benz em Iracemápolis no início do segundo semestre de 2021 e oficializou sua apresentação em janeiro deste ano.

Pedro Betancourt, diretor de Relações Governamentais da empresa, destacou que, “a estratégia de internacionalização da empresa, inclusive para a América do Norte, passa pelo Brasil, primeiro país a produzir [os veículos da Great Wall] nas Américas. Somos a porta de entrada para todo o continente, já que a empresa pretende aprender aqui a como fazer negócios com os demais países continentais”, afirmou. Ainda de acordo com ele, o plano de negócios da empresa é de longo prazo.

Por outro lado, Carrielo, assinalou que mesmo positivos quando analisados em perspectiva, os investimentos chineses, em 2021, voltaram aos patamares registrados no período anterior à pandemia. Em 2018, por exemplo, houve 31 grandes projetos chineses efetivados no país. Em 2017, 28.

No entanto, o que se observa é que, com a gradual retomada da atividade econômica pós-pandemia, não só os investimentos chineses, mas os aportes externos em geral aumentaram no Brasil.

O estudo também revela que o aumento dos aportes chineses no Brasil foi superior à expansão dos investimentos chineses em outros países. “A tendência é que não haja novos grandes picos de investimentos futuros, que haja uma estabilidade por ao menos algum tempo, pois me parece que [os investidores chineses] agora estão priorizando a qualidade dos projetos, em detrimento da quantidade”, pontuou.

Estudo

Ele também confirmou que o Brasil segue sendo o centro de gravidade dos investimentos chineses na América do Sul. O estudo do Conselho Empresarial Brasil-China, mostra, ainda, que o setor de eletricidade atraiu 13 dos 28 projetos instalados no país ao longo de 2021, ou seja, 46% do total.

O setor de tecnologia da Informação, com 10 projetos – quase o mesmo número (12) de empreendimentos setoriais implementados entre 2007 e 2020, também se destacou. Já em termos de valor, a área de petróleo absorveu 85% dos US$ 5,9 bilhões que as companhias chinesas alocaram no Brasil.

Por Marcelo Rech

InfoRel

Imagem: Getty Images

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