Com medo da China, União Europeia quer acordo com o MERCOSUL

por | set 1, 2022 | 20h

A União Europeia, com medo do avanço da China na América Latina, agora quer o acordo de livre comércio com o MERCOSUL, aprovado. Depois de segurá-lo em oposição ao presidente brasileiro, a Europa se vê em crise econômica, migratória e energética, enquanto a China não para de investir nos países latino-americanos, Brasil incluído.

Nesta quarta-feira, 31, o bloco europeu emitiu um comunicado em que estabelece prioridade para o tratado comercial com o MERCOSUL, numa estratégia que visa recuperar terreno contra o gigante asiático. Há cerca de duas semanas, emissários da UE contataram o governo brasileiro para que o acordo seja retomado. Os europeus também contam com a eleição do ex-presidente Lula para que as relações recebam um novo impulso.

O cenário político-eleitoral brasileiro foi tema de reunião da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento Europeu, realizada dois após Lula ter recebido uma comitiva de eurodeputados de esquerda, que expressaram o apoio do grupo al líder petista. O diretor-geral do Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE) para as Américas, Brian Glynn, também compareceu ao Parlamento Europeu para tratar do assunto.

Consultado sobre o processo eleitoral brasileiro, Glynn afirmou que a campanha é marcada pela polarização entre Lula e Bolsonaro e muita desinformação. Ele classificou o Brasil “como uma das maiores democracias do mundo e um parceiro estratégico para a UE” e enfatizou que o bloco europeu deve “fazer mais” para fortalecer as relações com o país.

Brian Glynn recordou, ainda, que, embora a China seja o principal parceiro comercial do Brasil, a UE ainda é o maior investidor no país. De fato, o Brasil foi o principal destino dos investimentos chineses em 2021, com US$ 5,9 bilhões aplicados no país, cerca de 208% a mais do que em 2020.

“Assim que tivermos clareza sobre a direção da política no Brasil para os próximos anos, nos engajaremos com as novas autoridades”, disse, sem esconder a preferência pelo candidato do PT. “Após as eleições, será um bom momento para olhar o Brasil com novos olhos”, acrescentou.

Apesar dessa posição explícita, Glynn reconheceu que a UE tem cometido muitos erros em suas relações com a região. “A América Latina é uma região do mundo que provavelmente tem sido um pouco negligenciada pela UE, que foi tomada como certa, e agora temos a capacidade e a vontade de fazer algo a respeito”, afirmou.

O acordo comercial entre a UE e o Mercosul foi assinado em 2019, após 20 anos de negociações, mas ainda não entrou em vigor porque depende da ratificação de todos os envolvidos. Um dos principais entraves vêm sendo as preocupações ambientais de países europeus quanto aos compromissos do Brasil na preservação do meio ambiente.

Por Marcelo Rech

InfoRel

Imagem: mercosur.int

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