Bolívia quer aumentar as vendas de gás para empresas privadas no Brasil

por | dez 12, 2022 | 17h

A estatal boliviana assegura que o contrato com a Petrobras será respeitado, mas espera poder aumentar as vendar para as empresas privadas a partir de uma produção maior. Para tanto, novos poços estão sendo explorados

A Bolívia, por meio da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) planeja aumentar a participação nas vendas de gás natural no mercado brasileiro, priorizando os contratos com as empresas privadas. A informação é do presidente da companhia, Armin Dorgathen.

O país iniciou, em 2021, a exploração de novos reservatórios para aumentar o volume de gás a ser exportado, de olho nos preços internacionais do produto. Para a Bolívia, o Brasil é um dos mercados prioritários.

Dorgathen lembrou que a YPFB atualmente trabalha com a Petrobras com um contrato de venda de gás natural vigente desde 1999 que permitiu o desenvolvimento de infraestrutura nos dois países e mostrou a Bolívia como um fornecedor confiável.

“Embora os preços neste contrato não sejam altos, permite à YPFB ser um fornecedor firme, um fornecedor confiável que está no mercado há mais de 20 anos e isso nos permite ter várias empresas privadas brasileiras interessadas no gás boliviano”, afirmou.

Ele sustentou que o objetivo da estatal é cumprir o contrato com a Petrobras e ter volumes excedentes de gás para poder vendê-los a outras empresas privadas no mercado brasileiro, como ocorreu nesta gestão.

“Continuaremos sendo um fornecedor confiável e a partir de 2025, quando tivermos volumes disponíveis para o mercado brasileiro, poderemos otimizar os preços de venda para distribuidores privados e também com a própria Petrobras, quando o contrato for fechado”, revelou.

No caso do mercado argentino, a venda de gás da YPFB responde a uma sazonalidade da demanda ao longo do ano. Ou seja, existe uma diferença de demanda entre o verão e o inverno.

“O gás boliviano é mais requerido durante o inverno para o aquecimento das residências, naquela época o mercado de Buenos Aires consumia grande parte do gás argentino, aumentando a demanda pelo recurso e o gás boliviano cobre praticamente o norte daquele país”, explicou.

Este ano, a exportação de gás natural boliviano para os mercados do Brasil e da Argentina permitiu à estatal de hidrocarbonetos faturar US$ 3.027 milhões entre janeiro e novembro. Dorgathen ressaltou que em janeiro deste ano foi quebrado o recorde de preço do gás, que era de US$ 11 por milhão de BTUs (British Thermal Unit).

“Em janeiro conseguimos vender para uma empresa privada no Brasil por US$ 13,8, em fevereiro por US$ 14,2 para outra empresa privada e no inverno deste ano conseguimos vender para a Enarsa (da Argentina) por US$ 21; isso não é só efeito do preço como dizem alguns políticos, é efeito da negociação do contrato e do brent, no caso da Enarsa”, concluiu.

Por Marcelo Rech

InfoRel

Imagem: EPBR

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